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sábado, 6 de setembro de 2014
Vettel não dá chances e bota a mão na taça
Não, você não voltou no tempo nem está em uma realidade paralela. Reproduzo um texto que fiz para outro blog sobre o GP da Itália do ano passado. Era a segunda vitória consecutiva de Vettel, numa sequência que chegaria a nove. É um registro interessante, sentir como tudo mudou em um único ano.
***
Deu sono. Vettel venceu com uma facilidade assustadora, sem correr nenhuma espécie de risco. Foi um dia que lembrou os tempos de Schumacher na Ferrari, a bem da verdade.
O único momento em que houve alguma chance de Vettel perder a corrida foi na largada. O alemão, consciente de que tinha o melhor ritmo, sabia que se terminasse a primeira volta na ponta seria o vencedor. Assim o fez: travando rodas e atacando as zebras, não deu chances aos outros. Depois, fez uma sequência de voltas rápidas, para que ninguém pudesse usar a asa-móvel contra ele. E também para mostrar que quem mandava ali era ele. Ayrton Senna fazia muito isso, e tem um número muito alto de vitórias no currículo. Alguma semelhança?
Um pouco atrás o segundo colocado era - oh - Felipe Massa, como quem diz "sim, eu ainda corro". Ganhou duas posições na largada e construiu sua corrida em cima disso. Falem o que quiser dele, mas ele vem largando muito bem esse ano, sendo o piloto com mais posições ganhas em todas as primeiras voltas de 2013. Pena que Alonso vinha atrás e, como se sabe, Fernando is faster than you. Foi pra terceiro. Depois, um pit-stop mediano da Ferrari colocou uma pá de cal nas chances de pódio do brasileiro, que perdeu uma posição para o semi-aposentado Webber. Foi sua melhor corrida em meses, porém.
Alonso fez o que podia, mas ainda assim foi pouco. Chegou a andar no mesmo ritmo de Vettel em alguns momentos, mas isso aconteceu quando já existia uma distância de uns cinco segundos entre eles. No seu caso, o que acabou com suas chances de vitórias foi uma decisão estupida - do próprio piloto - de retardar sua parada, na tentativa desesperada de buscar o líder. Claro, no fim das contas só perdeu tempo, ficando umas três voltas com um pneu bastante gasto.
Atrás, algumas brigas interessantes. Hamilton e Räikkönen tiveram problemas e foram forçados a fazer mais uma parada, tendo que se entreter fazendo corridas de recuperação e chegando em nono e 11o, respectivamente. As McLaren's, no dia em que comemoravam os 50 anos da equipe, tiveram um dia trágico, em que quase não pontuaram e levaram surra de outras equipes medianas, como Toro Rosso e Sauber.
Falando em Sauber, foi o final de semana do ano da equipe suíça. Largando em terceiro, Hülkenberg conseguiu se manter numa excelente quinta posição, somando numa só corrida mais que o dobro do que conseguira em todas as outras. Se consolida na oitava posição do mundial de construtores, tendo em vista que a Williams não dá sinais de que vá conseguir reagir em 2013.
Vettel está com oito dedos na taça. Com 53 pontos a mais que Alonso e 7 corridas pela frente, as possibilidades de reação são muito baixas. Fernando vai continuar dizendo que está na briga e que "nunca desiste". Balela. Deem logo a taça para o alemão.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Os dias contados de Vergne
Jean-Éric Vergne é um caso curioso dentro da F1. Não é considerado o futuro da categoria, não é um talento que deslumbra espectadores ao redor do mundo. Mas faz o seu trabalho direitinho, pontua sempre que dá - apesar de não ter o costume de render bem em voltas rápidas. Esse ano, por exemplo, vem batendo Daniil Kvyat que, apesar de novato, é bastante rápido e promissor. Em 2012, bateu o hoje consagrado Daniel Ricciardo. No geral, é uma carreira digna de aplausos, desde a base até o pináculo do automobilismo.
Apesar dos prós, Vergne não está na condição mais confortável do mundo em 2014. Já está em sua terceira temporada com a Toro Rosso, que tem o péssimo hábito de demitir os pilotos sem mais nem menos, assim que percebe que eles não serão o próximo Sebastian Vettel. Jean-Eric viu seu grande parâmetro, Ricciardo, alcançar uma vaga na Red Bull e ganhar a condição de estrela. De certa forma, o francês foi visto como o derrotado pela cúpula de sua equipe, como se não fosse capaz de lidar com as responsabilidades de uma escuderia campeã. E acusou o golpe, passando a segunda metade de 2013 em branco, após um começo de ano promissor. Ali seu futuro pode ter sido definido.
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| Batendo o Ricciardo, quem diria? |
Já são três temporadas guiando os carros de Faenza, tantos anos quanto Buemi e Alguersuari. E vocês sabem o que aconteceu com a antiga dupla ao fim do terceiro ano: demissão. E olha que duraram bastante: Liuzzi, Speed e Bourdais demoraram menos ainda para garantir o seguro desemprego. Ao contrário da Ferrari ou da Mercedes, a Toro Rosso não é conhecida pela longa duração dos contratos.
Isso é uma grande pena. Mesmo. Vergne deu um show no GP da Hungria, segurando carros muito mais rápidos e que poderiam brigar pela vitória. É um piloto mais maduro, que vem tentando corrigir seus erros e defeitos de outrora. Pena que, creio eu, seja muito tarde. Acho que ele só não foi chutado em 2013 para que a STR não fosse obrigada a contar com dois novatos numa temporada com carros tão diferentes como a de 2014. Está lá para ser um parâmetro para Kvyat, não muito mais que isso. E ao fim do GP de Abu Dhabi desse ano, esse dever estará terminado.
Mas vai sair para entrar quem? Bem, Carlos Sainz Jr é o nome mais provável. Já vem sendo cogitado na Caterham, ainda nesse ano, como parte do processo de amadurecimento (Ricciardo passou por isso com a Hispania em 2011). Daí em 2015 ele vai para a equipe júnior dos energéticos. Existem outros nomes bons no Red Bull Junior Team, mas creio que já seriam apostas para 2016 ou 2017 - Alex Lynn e Pierre Gasly.
É triste, mas não é novidade. As chances de vermos Vergne na F1 em 2015 vão diminuindo, mesmo que seus resultados venham crescendo. É o jeito da Toro Rosso de trabalhar.
Isso é uma grande pena. Mesmo. Vergne deu um show no GP da Hungria, segurando carros muito mais rápidos e que poderiam brigar pela vitória. É um piloto mais maduro, que vem tentando corrigir seus erros e defeitos de outrora. Pena que, creio eu, seja muito tarde. Acho que ele só não foi chutado em 2013 para que a STR não fosse obrigada a contar com dois novatos numa temporada com carros tão diferentes como a de 2014. Está lá para ser um parâmetro para Kvyat, não muito mais que isso. E ao fim do GP de Abu Dhabi desse ano, esse dever estará terminado.
| Quase uma babá |
É triste, mas não é novidade. As chances de vermos Vergne na F1 em 2015 vão diminuindo, mesmo que seus resultados venham crescendo. É o jeito da Toro Rosso de trabalhar.
domingo, 6 de julho de 2014
Um dia completo (Corrida - GP da Inglaterra)
Que corrida. Teve tudo: acidente forte, bandeira vermelha, líder abandonando, disputas ferrenhas. E nem choveu.
Era difícil imaginar que teríamos um dia tão divertido e movimentado como o de ontem. O sol tinha aparecido com força e nem de longe lembrava o tempo feio do sábado. Ferrari e Williams ficaram felizes, sabiam que em condições normais poderiam escalar o grid e brigar por pontos. Rosberg tinha motivos para temer pois, em condições normais, Hamilton rapidamente estaria na sua cola.
Mas essas expectativas todas ficaram para depois. Uma hora depois.
Ainda na primeira volta, na curva 4, Räikkönen perdeu um pouco de tração. Pneus frios, vocês sabem. Não conseguiu se segurar e escapou da pista. Com alguma imprudência, voltou para a pista no primeiro momento possível, em alta velocidade. Aí, perdeu o controle do carro, atravessou a pista, rodou e trancou a nossa respiração. Kobayashi e Massa foram vitimados pelo finlandês estabanado. Com sorte, todos ficaram bem, apesar de um corte no tornozelo de Kimi. Fim de corrida para o brasileiro e o nórdico. Guard-rail danificado, uma hora de bandeira vermelha.
Não quero que me vejam como um crítico assíduo de Kimi, mas é mais um momento conturbado em sua temporada. Devia esperar os outros carros passarem, e então regressar a pista com segurança. Não soube julgar corretamente a situação e pagou caro por isso. Cabe também um elogio a Massa e Kobayashi, que evitaram um acidente em T com a Ferrari. Naquela velocidade, Räikkönen poderia se machucar com mais gravidade. A célula de sobrevivência é muito forte, mas a cabeça do piloto ainda é muito exposta.
A posições tinham mudado bastante. Rosberg ainda liderava, mas Hamilton era quarto, Vettel era sexto, Bottas era nono e Alonso era 12o. Esses seriam os protagonistas da corrida.
Hamilton não precisou de muito tempo para passar as duas McLarens e assumir a 2a posição, 5s atrás de Rosberg. Button se manteve em 3o por um bom tempo enquanto Magnussen regredia. Bottas e Alonso, mais atrás, faziam todas as ultrapassagens em todos os pontos do circuito. Logo estavam entre os cinco primeiros. Não só demonstraram que estavam num bom dia, mas também que estão em grande fase - mesmo com os carros inconstantes que pilotam.
Aí começaram os problemas para Alonso. Ele tinha se adiantado na hora de tomar posição na largada e levou um stop-and-go. Bottas tinha caminho livre para ser o melhor piloto não-Mercedes, já que aquela não era a melhor performance da história da Red Bull. Massa chorava nos boxes e era consolado por Eric Clapton, enquanto comia o bolo em comemoração dos 200 GPs.
Lá na frente, Rosberg ia aos boxes. Tinha escolhido uma estratégia de dois pits, enquanto Hamilton faria um só - estratégia correta, do meu ponto de vista. Não haveriam grandes disputas, porém. O câmbio traiu Nico, que pela primeira em 2014 vez voltaria para casa sem pontos.
Não entendo muito de mecânica para palpitar sobre o abandono. Só acho que Rosberg estava arriscando muito. Estava tentando ser mais rápido que Hamilton, mesmo com um carro problemático. É aquela gana de bater o companheiro, adversário pelo campeonato, entendo. Mas talvez fosse mais esperto se poupar e tentar segurar alguns pontos - 8o, 9o lugar. No fim do ano, meia dúzia de pontos podem fazer uma diferença tremenda.
E você pode até procurar um significado nisso. Torcedor do Rosberg: aviso que, em 2013, Vettel só abandonou um GP, o da Inglaterra. Venceu o título com facilidade. Torcedor do Hamilton: em 1988, Prost abandonou pela primeira vez no GP inglês, e ali Senna começou a garantir o seu primeiro campeonato. Escolha o que acreditar.
Depois, a corrida se resumiu a uma briga entre Vettel e Alonso. O alemão tinha feito uma escolha errada de estratégia, largando com pneus duros e tendo pouco ritmo. Alonso se recuperava da punição. Por isso eram apenas 5o e 6o. Quis o destino que eles se cruzassem. Que momento.
Vettel vinha dos boxes e não tinha os pneus aquecidos. Alonso se aproveitou e passou na pista. Mas Sebastian tinha mais carro. Só faltava concretizar uma ação, uma ultrapassagem. Tocavam pneus, se espremiam, mas a ordem se mantinha. Até que a Red Bull saiu com mais velocidade da Luffield e passou na Copse.
Alonso chiou. Disse que Vettel tinha usado a asa-móvel onde não podia, que tinha espremido, que era feio e tinha cara de mamão. Não sei o que os comissários vão decidir, mas não duvido que alguém seja punido. Os dois estavam sempre saindo da pista, atacando as zebras com mais vigor do que deviam - ultrapassando os tais "limites da pista". Mas foi uma disputa linda, de qualquer jeito. Os dois podem se orgulhar (e também lamentar, já que são os dois melhores pilotos do grid e tem dois carros meia-boca).
No fim, Hamilton segurou a ponta, Bottas confirmou uma tarde excelente com seu melhor resultado na carreira e Ricciardo - apagado - segurou uma terceira posição, depois de um dia sem grandes emoções.
Ah, e Maldonado bateu. Ou foi batido, por Gutiérrez. Abandonou na penúltima volta. Realmente, não faltou nada nessa corrida.
E o campeonato?
Temos uma disputa. Rosberg perdeu toda sua vantagem e vê Hamilton colado, quatro pontos atrás. Quase nada, considerando que um vitória vale 25 pontos e já estamos quase na metade do campeonato. Se Rosberg abandonar na Alemanha e Hamilton chegar em 8o, já é o líder. Aliás, Hockenheim vai viver um domingo decisivo: toda aquela energia a favor de Hamilton vai se virar contra. Se Lewis abandonar, todos vão gritar, se abraçar e jogar cerveja para cima.
Só mais uma coisa: a cada dia que passa, eu tenho mais medo dos efeitos que os pontos dobrados de Abu Dhabi podem ter no campeonato. Tenho a péssima sensação de que isso não vai ser tão bom assim para a competição, como um todo. Se uma das Mercedes abandonar e a outra ganhar, podemos ver um campeão com mais de 50 pontos de vantagem sobre o vice. E isso não traduziria, de forma alguma, a disputa ferrenha pelo título.
Era difícil imaginar que teríamos um dia tão divertido e movimentado como o de ontem. O sol tinha aparecido com força e nem de longe lembrava o tempo feio do sábado. Ferrari e Williams ficaram felizes, sabiam que em condições normais poderiam escalar o grid e brigar por pontos. Rosberg tinha motivos para temer pois, em condições normais, Hamilton rapidamente estaria na sua cola.
Mas essas expectativas todas ficaram para depois. Uma hora depois.
Ainda na primeira volta, na curva 4, Räikkönen perdeu um pouco de tração. Pneus frios, vocês sabem. Não conseguiu se segurar e escapou da pista. Com alguma imprudência, voltou para a pista no primeiro momento possível, em alta velocidade. Aí, perdeu o controle do carro, atravessou a pista, rodou e trancou a nossa respiração. Kobayashi e Massa foram vitimados pelo finlandês estabanado. Com sorte, todos ficaram bem, apesar de um corte no tornozelo de Kimi. Fim de corrida para o brasileiro e o nórdico. Guard-rail danificado, uma hora de bandeira vermelha.
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| Ouch |
Não quero que me vejam como um crítico assíduo de Kimi, mas é mais um momento conturbado em sua temporada. Devia esperar os outros carros passarem, e então regressar a pista com segurança. Não soube julgar corretamente a situação e pagou caro por isso. Cabe também um elogio a Massa e Kobayashi, que evitaram um acidente em T com a Ferrari. Naquela velocidade, Räikkönen poderia se machucar com mais gravidade. A célula de sobrevivência é muito forte, mas a cabeça do piloto ainda é muito exposta.
A posições tinham mudado bastante. Rosberg ainda liderava, mas Hamilton era quarto, Vettel era sexto, Bottas era nono e Alonso era 12o. Esses seriam os protagonistas da corrida.
Hamilton não precisou de muito tempo para passar as duas McLarens e assumir a 2a posição, 5s atrás de Rosberg. Button se manteve em 3o por um bom tempo enquanto Magnussen regredia. Bottas e Alonso, mais atrás, faziam todas as ultrapassagens em todos os pontos do circuito. Logo estavam entre os cinco primeiros. Não só demonstraram que estavam num bom dia, mas também que estão em grande fase - mesmo com os carros inconstantes que pilotam.
Aí começaram os problemas para Alonso. Ele tinha se adiantado na hora de tomar posição na largada e levou um stop-and-go. Bottas tinha caminho livre para ser o melhor piloto não-Mercedes, já que aquela não era a melhor performance da história da Red Bull. Massa chorava nos boxes e era consolado por Eric Clapton, enquanto comia o bolo em comemoração dos 200 GPs.
Lá na frente, Rosberg ia aos boxes. Tinha escolhido uma estratégia de dois pits, enquanto Hamilton faria um só - estratégia correta, do meu ponto de vista. Não haveriam grandes disputas, porém. O câmbio traiu Nico, que pela primeira em 2014 vez voltaria para casa sem pontos.
Não entendo muito de mecânica para palpitar sobre o abandono. Só acho que Rosberg estava arriscando muito. Estava tentando ser mais rápido que Hamilton, mesmo com um carro problemático. É aquela gana de bater o companheiro, adversário pelo campeonato, entendo. Mas talvez fosse mais esperto se poupar e tentar segurar alguns pontos - 8o, 9o lugar. No fim do ano, meia dúzia de pontos podem fazer uma diferença tremenda.
E você pode até procurar um significado nisso. Torcedor do Rosberg: aviso que, em 2013, Vettel só abandonou um GP, o da Inglaterra. Venceu o título com facilidade. Torcedor do Hamilton: em 1988, Prost abandonou pela primeira vez no GP inglês, e ali Senna começou a garantir o seu primeiro campeonato. Escolha o que acreditar.
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| Melhor momento do dia |
Depois, a corrida se resumiu a uma briga entre Vettel e Alonso. O alemão tinha feito uma escolha errada de estratégia, largando com pneus duros e tendo pouco ritmo. Alonso se recuperava da punição. Por isso eram apenas 5o e 6o. Quis o destino que eles se cruzassem. Que momento.
Vettel vinha dos boxes e não tinha os pneus aquecidos. Alonso se aproveitou e passou na pista. Mas Sebastian tinha mais carro. Só faltava concretizar uma ação, uma ultrapassagem. Tocavam pneus, se espremiam, mas a ordem se mantinha. Até que a Red Bull saiu com mais velocidade da Luffield e passou na Copse.
Alonso chiou. Disse que Vettel tinha usado a asa-móvel onde não podia, que tinha espremido, que era feio e tinha cara de mamão. Não sei o que os comissários vão decidir, mas não duvido que alguém seja punido. Os dois estavam sempre saindo da pista, atacando as zebras com mais vigor do que deviam - ultrapassando os tais "limites da pista". Mas foi uma disputa linda, de qualquer jeito. Os dois podem se orgulhar (e também lamentar, já que são os dois melhores pilotos do grid e tem dois carros meia-boca).
No fim, Hamilton segurou a ponta, Bottas confirmou uma tarde excelente com seu melhor resultado na carreira e Ricciardo - apagado - segurou uma terceira posição, depois de um dia sem grandes emoções.
Ah, e Maldonado bateu. Ou foi batido, por Gutiérrez. Abandonou na penúltima volta. Realmente, não faltou nada nessa corrida.
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| Chega de zica |
E o campeonato?
Temos uma disputa. Rosberg perdeu toda sua vantagem e vê Hamilton colado, quatro pontos atrás. Quase nada, considerando que um vitória vale 25 pontos e já estamos quase na metade do campeonato. Se Rosberg abandonar na Alemanha e Hamilton chegar em 8o, já é o líder. Aliás, Hockenheim vai viver um domingo decisivo: toda aquela energia a favor de Hamilton vai se virar contra. Se Lewis abandonar, todos vão gritar, se abraçar e jogar cerveja para cima.
Só mais uma coisa: a cada dia que passa, eu tenho mais medo dos efeitos que os pontos dobrados de Abu Dhabi podem ter no campeonato. Tenho a péssima sensação de que isso não vai ser tão bom assim para a competição, como um todo. Se uma das Mercedes abandonar e a outra ganhar, podemos ver um campeão com mais de 50 pontos de vantagem sobre o vice. E isso não traduziria, de forma alguma, a disputa ferrenha pelo título.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
David e Mark
Hoje, porém mais tarde, vai ser revelado o carro da McLaren. Amanhã o da Ferrari, e assim vamos seguir até o começo da Temporada. Quero aproveitar esse vácuo temporário de assuntos pra falar sobre duas figuras importantes pra F1 e que tem muito em comum: Coulthard e Webber.
David Coulthard sempre foi um piloto muito bem apadrinhado: Fez testes com a McLaren em 1990 e, depois de uns bons resultados na base, como a vitória em Macau em '91 d o 3o lugar na F3000 em 1993, ele foi oficializado como piloto de testes na Williams ainda em '93. Quis o destino que Senna morresse e o carro de 1o piloto do time ficasse vago, assim, então, abrindo espaço para David e Mansell revezassem o volante do FW16. Mesmo cometendo alguns erros, David ganhou espaço e uma corrida. Era visto como o futuro do Automobilismo Inglês, tendo em vista que Hill já era veterano.
Em 1996, a McLaren. No começo o carro era bem meia-boca, o que permitia à David e Mika Hakkinen uma disputa relativamente igualitária, mas em '98 o carro foi pras cabeças, e Coulthard virou instantaneamente o 2o piloto. Isso é sintetizado no fato de que em '98 ele conseguiu Seis 2o lugares, e de '94 até '97 ele tinha conseguido Sete. Mika virou bicampeão e David comia sobras, mas nessa 1a fase as sobras tinham um tamanho generoso, até; chegando ao ponto de em 2001, pela 1a vez em Seis anos, ele vencer Mika. "Agora vai!", diria alguém, mas não foi.
Em 2002 chegou Kimi, um gurizão no meio daquele mundo todo. Nesse 1o ano Kimi levou pau, de fato, mas isso não adiantava nada, tendo em vista que o MP4-17 era pior que a Ferrari e a Williams. Quando o carro melhorou, David voltou a apanhar, mas dessa vez com força: Teve dois pódios em '03 e '04, um 7o e um 10o lugar; enquanto Kimi teve 14 pódios, um 2o e um 7o lugar. Um laço, em suma. Sem espaço no time de Ron Dennis, Coulthard debandou para uma escuderia nova e descolada: a Red Bull, onde fez um bom trabalho, mas ficou muito longe de qualquer chance de vitória.
Mark Webber chegou na F1 por um caminho bem mais difícil. Vindo de um país relativamente periférico em relação ao Automobilismo de Monopostos, ele teve que passar bem mais tempo na base, tendo começado sua carreira em '94 na F-Ford, onde conseguiu resultados bons, principalmente em '95. Nesse mesmo ano ele se debandou pra Europa, para disputar outras F-Ford, como a Inglesa e a Européia, tendo estado na ponta muitas vezes. Ele precisava avançar pra uma F3000 da vida, mas não conseguiu, e o Endurance foi a solução. Mark foi pra equipe Mercedes do endurance, mas não conseguiu muita coisa além de umas piruetas em Le Mans. Cansado, conseguiu ir pra F3000 em 2000. Seus bons contatos aproximaram ele de equipes de F1 como a Minardi e a Arrows, tendo estreado pela primeira em 2002.
Os dois pontos em Melbourne foram um milagre que não foi repetido em nenhuma outra corrida. A Jaguar parecia promissora e ele foi pra lá, tendo sido bem melhor que Pizzonia e Klien e chamando a atenção de Frank Williams, que estava irritado com Ralf Schumacher e Montoya. Foi pilotar pro time de Williams em 2005 e 2006 e bateu - de novo - os companheiros de equipe. O seu único grande problema na época era que seu desmpenho em Treinos era bem melhor que o de Corridas. Foi pra Red Bull em 2007, onde enfrentou Coulthard, vencendo-o em um ano e perdendo noutro. O Inglês foi embora e veio um Alemão fenomenal: Vettel.
Mark, que em Oito anos de F1 tinha vencido o companheiro de equipe em Sete oportunidades, foi batido por Vettel por Quatro anos seguidos, sem tirar. O Australiano chegou a esboçar uma reação em 2010, mas foi batido do mesmo jeito.
Tá, e o que quero dizer com isso tudo?
Tanto com Mark e David teve um cara novo que chegou e começou a bater sem dó neles, que tinham conseguido resultados bons em anos anteriores. David fez uns anos meia-boca pela Red Bull até sair da F1, em 2008. Ele fez umas corridas em 2010 na DTM, pela Mercedes, mas teve um desempenho pra lá de horrível. Hoje ele se contenta como comentarista de F1 na Inglaterra. Mark ainda pilota na F1, pelo melhor time da atualidade - e ainda leva surras de Vettel. Ele jura amor ao time Austríaco, apesar de já ter sido alfinetado por Helmut Marko, pessoa importante dentro do time. É fato: o caminho só tem descida para Mark, resta saber até onde ele vai descer, ou até quando vão deixar ele continuar descendo.
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| Coulthard no começo da década de '00: auge do Inglês. |
Em 1996, a McLaren. No começo o carro era bem meia-boca, o que permitia à David e Mika Hakkinen uma disputa relativamente igualitária, mas em '98 o carro foi pras cabeças, e Coulthard virou instantaneamente o 2o piloto. Isso é sintetizado no fato de que em '98 ele conseguiu Seis 2o lugares, e de '94 até '97 ele tinha conseguido Sete. Mika virou bicampeão e David comia sobras, mas nessa 1a fase as sobras tinham um tamanho generoso, até; chegando ao ponto de em 2001, pela 1a vez em Seis anos, ele vencer Mika. "Agora vai!", diria alguém, mas não foi.
Em 2002 chegou Kimi, um gurizão no meio daquele mundo todo. Nesse 1o ano Kimi levou pau, de fato, mas isso não adiantava nada, tendo em vista que o MP4-17 era pior que a Ferrari e a Williams. Quando o carro melhorou, David voltou a apanhar, mas dessa vez com força: Teve dois pódios em '03 e '04, um 7o e um 10o lugar; enquanto Kimi teve 14 pódios, um 2o e um 7o lugar. Um laço, em suma. Sem espaço no time de Ron Dennis, Coulthard debandou para uma escuderia nova e descolada: a Red Bull, onde fez um bom trabalho, mas ficou muito longe de qualquer chance de vitória.
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| Coulthard em 2010: auge do Australiano. |
Mark Webber chegou na F1 por um caminho bem mais difícil. Vindo de um país relativamente periférico em relação ao Automobilismo de Monopostos, ele teve que passar bem mais tempo na base, tendo começado sua carreira em '94 na F-Ford, onde conseguiu resultados bons, principalmente em '95. Nesse mesmo ano ele se debandou pra Europa, para disputar outras F-Ford, como a Inglesa e a Européia, tendo estado na ponta muitas vezes. Ele precisava avançar pra uma F3000 da vida, mas não conseguiu, e o Endurance foi a solução. Mark foi pra equipe Mercedes do endurance, mas não conseguiu muita coisa além de umas piruetas em Le Mans. Cansado, conseguiu ir pra F3000 em 2000. Seus bons contatos aproximaram ele de equipes de F1 como a Minardi e a Arrows, tendo estreado pela primeira em 2002.
Os dois pontos em Melbourne foram um milagre que não foi repetido em nenhuma outra corrida. A Jaguar parecia promissora e ele foi pra lá, tendo sido bem melhor que Pizzonia e Klien e chamando a atenção de Frank Williams, que estava irritado com Ralf Schumacher e Montoya. Foi pilotar pro time de Williams em 2005 e 2006 e bateu - de novo - os companheiros de equipe. O seu único grande problema na época era que seu desmpenho em Treinos era bem melhor que o de Corridas. Foi pra Red Bull em 2007, onde enfrentou Coulthard, vencendo-o em um ano e perdendo noutro. O Inglês foi embora e veio um Alemão fenomenal: Vettel.
Mark, que em Oito anos de F1 tinha vencido o companheiro de equipe em Sete oportunidades, foi batido por Vettel por Quatro anos seguidos, sem tirar. O Australiano chegou a esboçar uma reação em 2010, mas foi batido do mesmo jeito.
Tá, e o que quero dizer com isso tudo?
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| Futuro? |
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