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terça-feira, 26 de agosto de 2014

O novo Rosberg


Nico Rosberg é o grande tema da semana. O alemão supostamente bateu de propósito em Hamilton, ocasionando um furo no pneu e outro nas chances de diminuir a vantagem do companheiro no campeonato de pilotos. O germânico também foi prejudicado, mas em um nível muito menor. Ainda conseguiu levar 18 pontos para casa.

Ficou provado que Rosberg não é mais aquele cara burocrático e meia-boca de outras temporadas. A transformação vem acontecendo desde sua chegada na Mercedes, em 2010, e atingiu seu clímax. Nico, hoje, é capaz de ser um completo canalha, se preciso for. Não que isso seja 100% errado: campeões costumam ser assim. Senna e Schumacher eram, por exemplo.

A surpresa de 2014 é que Rosberg mostrou velocidade durante o ano todo. Fez sete poles contra quatro de Hamilton. Foi também mais constante, tendo ido ao pódio dez vezes e abandonando só uma. Fez 73% dos pontos possíveis É, sem dúvida, desempenho de campeão. Em 2013, com o mesmo número de corridas, Vettel tinha conseguido 74%. Diz muito. Mas Nico nunca tinha mostrado a atitude de um vencedor.

Começando a ter problemas
Um cara rápido é só um cara rápido, não necessariamente um vencedor. Essa competitividade que tomou o alemão ao longo dos últimos tempos pode fazer a diferença. Correr o risco de bater no rival de propósito é muito cretino, mas pode ser necessário. Prost poderia ter perdido o título de 1989 se não fosse cretino. O mesmo vale para Senna em 1990 e Schumacher em 1994. Alonso foi sacana em Hockenheim/2010, mas não obteve sucesso. Foi um risco que não se pagou, paciência.

Não quero dizer que é certo, preferível tomar atitudes duvidosas em detrimento de outros, mas pode ser necessário. Seria muito mais bonito ver Rosberg passando por fora na Combes e ganhando o GP da Bélgica com Hamilton colado atrás. Mas o acidente foi a forma encontrada por Nico. Talvez tenha achado necessário marcar território após os problemas na Hungria - a função do rádio, a fechada de Lewis na últimas voltas (que acredito ser o "ponto" mencionado pelo filho do Keke). Moralmente é errado, mas moral e boa conduta não dão títulos para ninguém.

Passado Remoto
As consequências do alemão não terminam aqui. Ainda temos sete corridas pela frente, uma com pontos dobrados, e veremos muita lenha queimando. Toto Wolff, Niki Lauda e Paddy Lowe tem um problema gigante nas mãos. A zona de conforto já não existe mais, erros significam derrotas. Ricciardo está só esperando as chances, enquanto as flechas de prata se autodestroem. E o culpado de o que quer que ocorra será Rosberg, o vilão da história.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Os dias contados de Vergne


Jean-Éric Vergne é um caso curioso dentro da F1. Não é considerado o futuro da categoria, não é um talento que deslumbra espectadores ao redor do mundo. Mas faz o seu trabalho direitinho, pontua sempre que dá - apesar de não ter o costume de render bem em voltas rápidas. Esse ano, por exemplo, vem batendo Daniil Kvyat que, apesar de novato, é bastante rápido e promissor. Em 2012, bateu o hoje consagrado Daniel Ricciardo. No geral, é uma carreira digna de aplausos, desde a base até o pináculo do automobilismo.

Apesar dos prós, Vergne não está na condição mais confortável do mundo em 2014. Já está em sua terceira temporada com a Toro Rosso, que tem o péssimo hábito de demitir os pilotos sem mais nem menos, assim que percebe que eles não serão o próximo Sebastian Vettel. Jean-Eric viu seu grande parâmetro, Ricciardo, alcançar uma vaga na Red Bull e ganhar a condição de estrela. De certa forma, o francês foi visto como o derrotado pela cúpula de sua equipe, como se não fosse capaz de lidar com as responsabilidades de uma escuderia campeã. E acusou o golpe, passando a segunda metade de 2013 em branco, após um começo de ano promissor. Ali seu futuro pode ter sido definido.

Batendo o Ricciardo, quem diria?
É que na Toro Rosso os fracos não têm vez. Existe um punhado de jovens loucos por uma chance na categoria-maior e que, justamente por serem membros do Red Bull Junior Team, veem na equipe italiana a única oportunidade de pilotar um F1. Vergne, de certa forma, só está ocupando um espaço que é destinado ao desenvolvimento de novos pilotos para, quem sabe, servir à Red Bull. E ele dá claros sinais de que não seguirá esse caminho.

Já são três temporadas guiando os carros de Faenza, tantos anos quanto Buemi e Alguersuari. E vocês sabem o que aconteceu com a antiga dupla ao fim do terceiro ano: demissão. E olha que duraram bastante: Liuzzi, Speed e Bourdais demoraram menos ainda para garantir o seguro desemprego. Ao contrário da Ferrari ou da Mercedes, a Toro Rosso não é conhecida pela longa duração dos contratos.

Isso é uma grande pena. Mesmo. Vergne deu um show no GP da Hungria, segurando carros muito mais rápidos e que poderiam brigar pela vitória. É um piloto mais maduro, que vem tentando corrigir seus erros e defeitos de outrora. Pena que, creio eu, seja muito tarde. Acho que ele só não foi chutado em 2013 para que a STR não fosse obrigada a contar com dois novatos numa temporada com carros tão diferentes como a de 2014. Está lá para ser um parâmetro para Kvyat, não muito mais que isso. E ao  fim do GP de Abu Dhabi desse ano, esse dever estará terminado.

Quase uma babá
Mas vai sair para entrar quem? Bem, Carlos Sainz Jr é o nome mais provável. Já vem sendo cogitado na Caterham, ainda nesse ano, como parte do processo de amadurecimento (Ricciardo passou por isso com a Hispania em 2011). Daí em 2015 ele vai para a equipe júnior dos energéticos. Existem outros nomes bons no Red Bull Junior Team, mas creio que já seriam apostas para 2016 ou 2017 - Alex Lynn e Pierre Gasly.

É triste, mas não é novidade. As chances de vermos Vergne na F1 em 2015 vão diminuindo, mesmo que seus resultados venham crescendo. É o jeito da Toro Rosso de trabalhar.

terça-feira, 29 de julho de 2014

O papel (e a borracha) dos pneus na Hungria


Eu acho muito interessante a atenção que a Pirelli dá às redes sociais. Sempre postam, no Twitter e no Facebook, dados interessantes sobre os GPs. Antes, postam informações sobre a corrida do ano passado, dando uma referência ao público; depois, postam esse tipo de infográfico, mostrando as paradas, os pneus e o tamanho dos stints. Perco algum tempo dando uma olhada neles. Numa corrida com estratégias tão decisivas, é válido fazer uma análise.

Divido em tópicos o que achei mais importante.

  • Ricciardo ganhou ao escolher uma estratégia sensata, usando pneus macios sempre. Já tinha tudo encaminhando quando o safety-car lhe deu a ponta, só precisava administrar. Alonso e Hamilton podem ter sido imprevistos, mas brilhantemente contornados pelo australiano, o piloto-carisma.
  • Alonso foi um monstro, mesmo. Seu stint com macios durou mais que o de duros do Hamilton, por exemplo. Comparando com Massa, fica mais insano: o brasileiro fez dois trechos com os pneus brancos, ambos mais curtos que o de amarelo do espanhol - e com menos ritmo. Justamente o contrário do normal.
  • O brasileiro, aliás, deveria rever algumas coisas. Gasta muito a borracha, e isso é fato desde a chegada da Pirelli, em 2011. Esse problema não existia com a Bridgestone. Assim, fica difícil pensar em estratégias mais audaciosas, como poderia ter acontecido no Canadá. Lembrando também que colocar pneu macio no último trecho poderia lhe garantir uma vida mais fácil contra Räikkönen (mas não lhe garantiria nenhuma posição a mais, não se iludam).
  • Rosberg só usou pneus novos nas últimas voltas, onde seu desempenho foi assombroso. Antes, com pneus já usados na sexta e no sábado, foi mediano. Tivesse usado os zero-bala no meio da corrida, poderia ter passado Hamilton - sem usar o rádio - e terminar no pódio. O desempenho bom no final foi em vão, praticamente.
  • Räikkönen também deu seu show com os pneus, e sem uma grande perda de ritmo. Aliás, melhor corrida do finlandês no ano. Pode ser a surpresa do fim da temporada - ou não.
  • Bottas fez o que Massa devia ter feito, usou os macios no fim. Mas não ajudou nada, sua corrida já tinha sido jogado fora quando Ericsson trouxe o safety-car.
  • Um troféu para a McLaren. Tinha chances de fazer bons pontos com os dois carros e terminou com um décimo lugar de Button. A estratégia tosca de usar intermediários com a pista já majoritariamente seca custou posições, tempo e paciência dos pilotos dos carros 20 e 22.
  • Nem nesses dias estranhos a Sauber consegue algo. Sutil, macios teve umas 15 voltas colado em Button, duros, e não passou. Segue em branco, a equipe suíça.
  • Mas o recorde de mais voltas com os mesmos pneus é de Chilton, não adianta. 37, um absurdo, uma lenda, um mito.
  • Todavia, o recorde de mais voltas sem pits, no geral, pertence a Kvyat. 40 voltas com pneu duro, enquanto tentava se recuperar do motor apagado na largada.
  • Uma corrida muito boa, no geral. Pneus foram protagonistas de um jeito que ainda não tinhamos visto em 2014. Receio que, não fosse a chuva, não seria tão divertido: seria só uma passeata de Rosberg com o Hamilton conquistando posições aos poucos. Melhor GP da Hungria desde 2006, com sobras.


domingo, 20 de julho de 2014

Feelings - GP da Alemanha


  • Rosberg confirmou os prognósticos e venceu com tranquilidade, sem correr riscos. Sua única preocupação foi evitar que, ao fazer seu primeiro pit-stop, Hamilton tomasse a frente, rápido que estava. Não aconteceu, e daí pra frente a corrida ganhou ares de desfile para o piloto monegasco finlandês alemão.
  • Hamilton estava on fire. Trocou o câmbio, para delírio da turma do #WhyAlwaysHamilton, e largou em 20o, na companhia de Chilton. Daí pra frente, só alegria. Mesmo com pneus duros, ia para cima, ultrapassava, batia, ultrapassava mais um pouco, perdia um pedaço da asa. No geral, uma performance para tirar o chapéu. Mas a estratégia não foi boa. Seria mais inteligente usar pneu duro no último stint, ao invés de se sujeitar a dois pits para por pneus macios. No fim, a velocidade final de Bottas acabou com qualquer chance de dobradinha da Mercedes.
  • Que corrida do Bottas. Seguro, maduro, confiante. Ao lado de Ricciardo, é a grande revelação de 2014. Passou a corrida toda em segundo, o que é espetacular, lembrando que ele já vinha de dois pódios. Tem 91 pontos, enquanto...
  • Massa tem 30. Enquanto Massa bate, enquanto Massa capota. Um toque com Magnussen jogou tudo fora em questão de metros. Os dois erraram, mas talvez fosse mais esperto da parte de Felipe uma performance mais conservadora, já que precisa - mais do que tudo - de resultados. Precisa de uma benzedeira.
    Whoops...
  • Alonso faz uma temporada abaixo do normal, mas constante. Pontua sempre e agora também se diverte. Depois daquela super disputa com Vettel, outra digna de elogios com Ricciardo. Dois pilotos de alto nível fazendo tudo que podem por mais pontinhos. É o que restou, mas esse serviço é feito com primazia. Os dois vêm batendo os companheiros constantemente.
  • Uma breve nota sobre Vettel: em casa, foi burocrático. Fez a sua parte, mas nunca muito mais brilhante que isso. Pelo menos ficou na frente de Ricciardo, coisa que nunca tinha alcançado sem um abandono de Daniel.
  • Force India sofre um pouco. Depois de performances grandiosas nas primeiras corridas, um retrocesso. Vai catando as migalhas de nonos, décimos lugares, enquanto vê uma McLaren crescendo e quase tomando o quinto lugar no campeonato de construtores. Quando voltarmos às pistas rápidas - Spa e Monza - deve voltar aos bons dias. Hungaroring será tão meia-boca quanto Hockenheim.
  • Räikkönen, outro fiasquinho. Sempre que eu olhava pra TV, lá estava ele sendo ultrapassado, em primeiro ou segundo plano. Uma xicará de café, uma ultrapassagem; uma ida ao banheiro, outra ultrapassagem. Terminou em 11o, o que representa bem o seu ano: medíocre.
  • Maldonado quase pontuou, eu juro. Não tive uma alucinação, não preciso de óculos. Mas depois perdeu ritmo e terminou em 12o. Pelo menos tem um contrato para 2015 - só porque eu disse que isso não aconteceria no último post.
  • Sutil chamou a atenção. Não por causa de uma super-performance, mas por que rodou sozinho. O carro ficou atravessado na pista, o safety-car parecia óbvio, mas não entrou. A turma da conspiração - que é a mesma do #WhyAlwaysHamilton - já concluiu que foi para evitar os riscos de Rosberg perder uma corrida em casa. Talvez, é difícil dizer. Situações bem menos escandalosas já exigiram a intervenção. Ficamos com uma pulga atrás da orelha.
  • A chuva ficou só na vontade. Choveu antes, choveu depois. Podia embaralhar as coisas. Uma pena, já que a última corrida molhada foi na Malásia, ano passado.
Aplausos
Piloto do dia: Hamilton, que escalou o grid como poucos fariam. Tem um carro bom, mas isso não significaria nada sem uma pilotagem acima da média. Garantiu o entretenimento do GP.

Equipe do dia: Williams, que não pára de evoluir. Óbvio que a Mercedes ainda é melhor que todos, mas o FW36 teve um dia muito bom para uma pista que não é a mais veloz do calendário - sua especialidade. Um certo piloto brasileiro deixou a desejar, mas o trabalho da equipe é impressionante e digno de comemoração em Grove. Aliás, hoje conseguiu seu pódio 300.

Piloto lamentável do dia: Räikkönen, dono de uma pilotagem mais feia que as sobrancelhas do Alonso. Simplesmente não está funcionando dentro da Ferrari. Bianchi sorri.

Equipe lamentável do dia: Sauber, que só afunda na mão de seus pilotos sem brilho e seu carro problemático.

sábado, 19 de julho de 2014

Feelings - Treino do GP da Alemanha

  • Pole do Rosberg, mas não foi tão tranquilo ou óbvio. Levou uma pressão nos últimos minutos. Não de Hamilton, mas sim de Bottas. Em certo instante, ver a Mercedes sem a pole em casa parecia realidade. Mas foi só impressão: com ou sem FRIC, o W05 ainda é o melhor carro.
  • Mas aonde estava Hamilton, se não brigando pela pole? No centro médico. Uma pancada de respeito nas curvas do estádio foi o suficiente para quebrar aquela tranquilidade da vitória em Silverstone. Largando em 16o, virou azarão. Eventualmente vai aparecer entre os cinco primeiros mas, em condições normais, o pódio é duvidoso. O ritmo das Williams está bem acima do que se esperava. Se não for pro tudo ou nada, volta a ver a vantagem de Nico crescer bastante.
  • Sem palavras para o ritmo das Williams. De Bottas, em especial. Deu um sufoco em Rosberg e os dois pilotos são sérios candidatos ao pódio, mesmo que essa pista não seja tão favorável para o carro inglês. Sou leigo quanto a suspensão, mecânica de um F1, mas vejo a Williams como a grande favorecida com o fim do FRIC.
    Surpresinha
  • Magnussen merece aplausos. Segunda corrida consecutiva em que larga no Top 5, mas dessa vez com o companheiro sendo eliminado no Q2. Nas pistas que conhece melhor, fruto de anos no automobilismo de base, ele cresce. Aliás, palmas para a McLaren, cujo carro dá sinais de melhora.
  • Button pode estar vendo sua carreira desmoronar. Me lembro que todos achavam que sua vida sem Hamilton como companheiro de equipe seria facilitada, que poderia ganhar outro título. Nada disso aconteceu, muito pelo contrário. E não é só porque o carro não é tão bom. Jenson vem decrescendo ao longo do ano, virando um piloto meio burocrático. Pode estar sendo aposentado pelo Magnussen. Já é um forte candidato à temporada 2015 do seguro desemprego.
  • Red Bull, mesma coisa. Sempre muito perto, sempre muito longe. Faz o arroz com feijão, tentando levar pontos para casa. Ricciardo bateu Vettel, mas não sei se pode bater os que estão adiante. Torcem por chuva
  • Se Magnussen aposenta Button; Kvyat aposenta Vergne. O russo vem sendo uma constante no Q3, batendo o francês, que nunca foi muito bom em voltas rápidas. Só falta transformar isso em pontos, e amanhã é um bom dia para tal.
  • Force India ficou meio abaixo. Nunca teve muito conforto, sempre passando de fase com dificuldades. Hoje, não teve como escapar do fundão do Q3. Sua esperança é que faça muito calor e eles possam montar uma estratégia com menos pit-stops.
  • Raikkonen está de saco cheio. Quer ir para casa, fazer outras coisas. Tá louco para ver a temporada acabar. Só isso justifica essa apatia. Outra vez foi presa do Alonso, outra vez ficou pelo caminho. Bianchi sorri.
  • Maldonado conseguiu a proeza de ficar atrás de uma Marussia. Merece aplausos. Temporada mais bisonha dos últimos tempos, dentre todos os pilotos, com sobras. Só um milagre, uma reencarnação de Chávez mantém ele na F1 em 2015.

E Amanhã?
  • Com tempo seco, dá Rosberg, com Bottas em segundo. Com chuva - uma possibilidade real - embaralha tudo: Williams diminui e Red Bull cresce. 
  • Nessa situação, seria uma corrida acidentada: os pilotos ainda não correram sob chuvas com esses carros, quando muito fizeram treinos. Ainda existe uma possibilidade de erros bem grande.
  • Hamilton torce por tempo seco. Sob chuva, não terá a ajuda amiga do DRS para escalar o grid - como Vettel em Abu Dhabi - 2012.
Aposta do autor
  • Tempo seco: ROS - BOT - VET
  • Tempo chuvoso: VET - ROS - MAG (é improvável, mas é uma aposta)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Sim, Caterham, pode piorar


A Caterham é, de longe, a equipe mais lamentável do grid atual. Você pode achar ela simpática justamente por ser pobre e desprezada, mas não há de negar que esse é justamente o talento dela - ser backmarker. 

Nesses últimos dias a equipe anglo-malaia chegou em um novo nível de pobreza: foi vendida no meio da temporada, atitude nível "equipe dos anos 80 que não passava da pré-classificação". A última que passou por isso foi a cômica MF1, que antes do fim da temporada virou Spyker. Mas era uma equipe recém fundada, isso poderia acontecer, paciência.

A Caterham é, até certo ponto, uma equipe estabelecida e com cinco anos de experiência no bolso. Nunca fez nada, mas até duas temporadas atrás era a mais promissora daquele trio que estreou em 2010. 2013 e 2014 foram suficientes para derrubar um avanço que, apesar de mínimo, existia.

Agora, o futuro. A equipe perdeu, já no GP da Inglaterra, dois dos seus patrocinadores mais interessantes: Airbus e GE simplesmente sumiram da asa-traseira e dos sidepods, respectivamente. Só sobrou a Dell, mas não sabemos até quando. Em contrapartida, tem o tal conglomerado árabe-helvético (sério, como essa combinação pode dar certo?) que promete investir muita grana - como todo mundo ao entrar na F1. Também teremos mudanças administrativas, como a volta de Colin Kolles, aquele que acumula fracassos na F1. Além de Christijan Albers assumindo como chefe de equipe - vale lembrar que o cara era piloto até ontem.

Kolles, o salvador (cof cof)
Não sei porque alguém sugeriu a Albers, que nem sabe sair dos boxes direito, dirigir uma equipe de F1. Ele não tem experiência e logo de cara vai assumir uma equipe presumidamente falida. Na verdade, ver ele pilotando uma Caterham até poderia fazer algum sentido, mas não vai rolar. A pessoa que o aconselhou a seguir esse caminho deve ter sido a mesma que disse para Marco Mattiacci que vender carros nos EUA e ser chefe de equipe na F1 não são coisas tão distintas assim.

E os problemas não se resumem à cúpula da equipe. Ontem foi anunciado que quase 50 funcionários da Caterham foram demitidos, num triste processo de destruição que nós ainda não sabemos onde vai terminar. Ou melhor, nós sabemos, só não queremos ser taxativos tão cedo. Parece que, independente de quem esteja no comando, as rédeas não estão controladas. Eu sei que é muito cedo, mas o caso exige alguma urgência.

Vale lembrar que, mesmo sendo o pior do grid, o CT05 não é exatamente o carro menos competitivo da história da F1. Ericsson, costumeiramente mais lento que Kobayashi, tende a ficar em torno de uns 5s atrás do pole em voltas rápidas. Ainda não chega aos absurdos 10s de diferença que eram registrados nos anos 80, mas é o caminho. O 107% não está tão longe assim. Na verdade, esse limite já foi alcançado no GP da Inglaterra, mas muito por causa das condições climáticas, que confundiram e misturaram o grid. Não chega a ser a condição real, mas várias equipes enfrentaram esse problema e só a verde passou do limite.

Dias difíceis
E os pilotos também não são essas maravilhas. Ericsson é lento e acidentado, simples assim. Kobayashi é mais rápido, erra menos, mas também não é nenhuma Brastemp. Não fosse o dinheiro dos fãs, não teria voltado ao grid. E já faço uma aposta, de que um dos dois será demitido em breve, talvez durante as férias de agosto. Carlos Sainz Jr., filhote da Red Bull, está em busca de um lugar para começar a carreira na F1 e já está negociando com os novos donos da Caterham.

Entra no lugar de quem? É cedo para dizer, mas aposto no Ericsson sendo demitido. Kobayashi não é tão cabaço quanto o sueco, acho que se sustenta. De qualquer forma, o clima na equipe de Leafield é de incerteza, seja para pilotos, seja para funcionários.

Fico pensando em algum funcionário da Caterham, triste ao ver a Marussia marcando pontos, olhando para o céu e se perguntando: "meu pai, tem como piorar?". Sim, tem como. E já piorou.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Bianchi, o futuro da Ferrari


Nós tendemos a ser preconceituosos com pilotos de equipes nanicas. Vemos eles como estabanados, lentos e sem futuro. Apenas um bando de caras com dinheiro para comprar uma vaga dentro da F1. Como se fossem todos exemplares de Karthikeyan, De Cesaris e Inoue. Talvez seja a hora de mudar o nosso ponto de vista, principalmente por um caso em especial. Bianchi.


Piloto bom, carro nem tanto
Jules Bianchi, atual piloto da equipe mais querida do grid (também conhecida como Marussia), faz um dos trabalhos mais significativos do grid atual da F1. Deu sequência às boas performances de 2013 e conseguiu inacreditáveis dois pontos no GP de Mônaco deste ano. Com um equipamento limitado, tem um ritmo que não fica tão para trás de Sauber e Lotus. Ele e Chilton – outro que não é tão horrendo quanto se esperava – formam, incrivelmente, uma das duplas mais interessantes deste ano.

Mas esse texto não tem tanto a ver com a Marussia, e sim com o provável próximo passo da carreira de Bianchi. Não é novidade para ninguém que o francês é parte do programa de pilotos da Ferrari e que essa relação é forte e de longa data. A equipe russa ganhou motores Ferrari em 2014, não foi por acaso. E essa semana também foi noticiado que Räikkönen tem sérios planos de sair da F1 quando seu contrato vigente acabar, ou seja, fim de 2015.

Junte as peças e perceberás que Bianchi está vendo seu futuro se concretizar ao longo desse ano. A Ferrari precisa se reformular, Räikkönen já está aborrecido, Jules faz grandes corridas. Vale lembrar também que, na primeira oportunidade, Alonso vai dizer arrivederci, irritado que está com a decadência dos bólidos vermelhos. O francês poderia ser primeiro piloto da Ferrari (!!!) em questão de dois anos. E olha que todos os fatores que eu citei nesse parágrafos são concretos ou prováveis de se realizar. Não é um delírio.

Silverstone, hoje
Hoje essa relação pode ter se intensificado um pouco mais. Nos treinos de hoje, ainda em Silverstone, Bianchi marcou o excelente tempo de 1:35.262, sendo o mais rápido da sessão. Só não foi melhor que Alonso, dono da marca de 1:35:244, na mesma pista, com o mesmo carro e os mesmos pneus. E olha que Jules, acostumado com sua Marussia, não conhece o carro tão bem quanto Alonso. Já está fazendo mais que Räikkönen em sua temporada mais bisonha.

Foi a prova de que o pupilo pode ser gente grande dentro da F1 num futuro próximo. Equipe e piloto, um tem o voto de confiança do outro. A Ferrari anda capenga, você pode argumentar, como se não fosse uma boa. Mas é a Ferrari, ainda é melhor que a Marussia.

Dentro de uma nova geração de pilotos que conta com Ricciardo e Bottas, não é exagero nenhum ver Bianchi com status de promessa. E essa relação com a Ferrari pode marcar época.

Quem sabe Bianchi não consegue trazer as felicidades e glórias que Alonso não conseguiu?

terça-feira, 8 de julho de 2014

Sauber vive pior começo de temporada da sua história

Não são dias felizes para a Sauber, e você não precisa ser um expert em F1 para saber disso. A equipe suíça está numa modestíssima décima posição no campeonato de construtores, sem pontos marcados, enquanto vê a carismática Marussia marcando 2, com um orçamento bem mais limitado.

A situação é ainda pior do que os pontos indicam. Desde a aposentadoria de Peter Sauber, no fim de 2012, a escuderia passa por dias inconstantes sob o comando de Monisha Kaltenborn, que ainda não parece ter pego o jeito da coisa. Os pilotos, Gutiérrez e Sutil, formam a dupla mais fraca e sem graça do grid. Eles simplesmente não são capazes de extrair mais do que o carro permite - e isso pode ser percebido pelo retrospecto da dupla. O resultado é uma seca das mais brabas que a equipe cinza já viu.

Números mostram isso bem. Resolvi comparar as nove primeiras corridas de todas as temporadas da equipe. Analisei as pontuações de toda a história da equipe e, para tal, usei aquela sistema vigente até 2009; na minha opinião, é a melhor e mais adequada, por ser menos discrepante.

Clique na imagem para ver no tamanho original

O traço azul representa os pontos; o vermelho, os abandonos. As faixas horizontais representam a média de cada um dos fatores.

Até 2013, o recorde negativo da história da equipe eram o equivalente a 2 pontinhos, em 2010. Antes da BMW comprar o time, o mínimo tinha sido 9, em 2003. A média histórica de pontos, após nove corridas, é 14,7. Em 2014, como vocês sabem, a soma é zero. Isso só dois anos depois de um excelente 2012. É uma decadência só comparável com 2002 e 2003, ressaca pós-2001, ano em que a equipe tinha um ótimo carro e a jovem promessa Kimi Räikkönen.

A quantidade de abandonos também incomoda, mas não chega a ser um recorde. Foram 8 abandonos dos 18 carros que disputaram essas 9 corridas. O número fica acima da média da equipe, que é 7. Você pode achar que o número desse ano não é tão espetacular por ser quase médio, mas devemos lembrar que a tendência das últimas temporadas é um menor número de abandonos e que a média é puxada para cima por causa do começo dos anos '90, onde abandonos eram bem mais corriqueiros. É a segunda vez que esse número fica acima do normal desde o retorno da equipe ao automobilismo, em 2010.

Enfim, os números só quantificam o tamanho da desgraça que é a Sauber em 2014. É o resultado de um time cuja única renovação nos últimos anos foi promover uma antiga funcionária ao cargo de chefe de equipe. Ninguém ouve falar em contratações de peso para o staff, sejam projetistas, estrategistas ou pilotos. Tudo anda muito mediano (para não dizer medíocre) na equipe suíça.



A falta de dinheiro é um dos maiores problemas. Dê uma olhada na foto do C33, acima. A marca com mais destaque é a Claro, benção de Carlos Slim, através de Gutiérrez. O mesmo vale para a Telmex, com menos destaque no carro. Tem também a NEC, uma multinacional sediada em Tóquio. A marca do Chelsea não é visível nessa foto, mas também está presente. Todos os outros são quase insignificantes. Os sidepods, espaço mais nobre do carro, estão vazios. A asa traseira carrega o nome da equipe, um jeito de evitar que aquele espaço fique em branco.

Se a equipe vai se recuperar no longo prazo? É cedo para dizer, mas é um situação bem desfavorável. Nós sabemos que, sem dinheiro, fica difícil tentar evoluir, ainda mais nesses dias economicamente instáveis. Minha opinião? É o começo do fim da Sauber. Espero estar errado.

domingo, 6 de julho de 2014

Um dia completo (Corrida - GP da Inglaterra)

Que corrida. Teve tudo: acidente forte, bandeira vermelha, líder abandonando, disputas ferrenhas. E nem choveu.

Era difícil imaginar que teríamos um dia tão divertido e movimentado como o de ontem. O sol tinha aparecido com força e nem de longe lembrava o tempo feio do sábado. Ferrari e Williams ficaram felizes, sabiam que em condições normais poderiam escalar o grid e brigar por pontos. Rosberg tinha motivos para temer pois, em condições normais, Hamilton rapidamente estaria na sua cola.

Mas essas expectativas todas ficaram para depois. Uma hora depois.

Ainda na primeira volta, na curva 4, Räikkönen perdeu um pouco de tração. Pneus frios, vocês sabem. Não conseguiu se segurar e escapou da pista. Com alguma imprudência, voltou para a pista no primeiro momento possível, em alta velocidade. Aí, perdeu o controle do carro, atravessou a pista, rodou e trancou a nossa respiração. Kobayashi e Massa foram vitimados pelo finlandês estabanado. Com sorte, todos ficaram bem, apesar de um corte no tornozelo de Kimi. Fim de corrida para o brasileiro e o nórdico. Guard-rail danificado, uma hora de bandeira vermelha.

Ouch

Não quero que me vejam como um crítico assíduo de Kimi, mas é mais um momento conturbado em sua temporada. Devia esperar os outros carros passarem, e então regressar a pista com segurança. Não soube julgar corretamente a situação e pagou caro por isso. Cabe também um elogio a Massa e Kobayashi, que evitaram um acidente em T com a Ferrari. Naquela velocidade, Räikkönen poderia se machucar com mais gravidade. A célula de sobrevivência é muito forte, mas a cabeça do piloto ainda é muito exposta.

A posições tinham mudado bastante. Rosberg ainda liderava, mas Hamilton era quarto, Vettel era sexto, Bottas era nono e Alonso era 12o. Esses seriam os protagonistas da corrida.

Hamilton não precisou de muito tempo para passar as duas McLarens e assumir a 2a posição, 5s atrás de Rosberg. Button se manteve em 3o por um bom tempo enquanto Magnussen regredia. Bottas e Alonso, mais atrás, faziam todas as ultrapassagens em todos os pontos do circuito. Logo estavam entre os cinco primeiros. Não só demonstraram que estavam num bom dia, mas também que estão em grande fase - mesmo com os carros inconstantes que pilotam.

Aí começaram os problemas para Alonso. Ele tinha se adiantado na hora de tomar posição na largada e levou um stop-and-go. Bottas tinha caminho livre para ser o melhor piloto não-Mercedes, já que aquela não era a melhor performance da história da Red Bull. Massa chorava nos boxes e era consolado por Eric Clapton, enquanto comia o bolo em comemoração dos 200 GPs.

Lá na frente, Rosberg ia aos boxes. Tinha escolhido uma estratégia de dois pits, enquanto Hamilton faria um só - estratégia correta, do meu ponto de vista. Não haveriam grandes disputas, porém. O câmbio traiu Nico, que pela primeira em 2014 vez voltaria para casa sem pontos.

Não entendo muito de mecânica para palpitar sobre o abandono. Só acho que Rosberg estava arriscando muito. Estava tentando ser mais rápido que Hamilton, mesmo com um carro problemático. É aquela gana de bater o companheiro, adversário pelo campeonato, entendo. Mas talvez fosse mais esperto se poupar e tentar segurar alguns pontos - 8o, 9o lugar. No fim do ano, meia dúzia de pontos podem fazer uma diferença tremenda.

E você pode até procurar um significado nisso. Torcedor do Rosberg: aviso que, em 2013, Vettel só abandonou um GP, o da Inglaterra. Venceu o título com facilidade. Torcedor do Hamilton: em 1988, Prost abandonou pela primeira vez no GP inglês, e ali Senna começou a garantir o seu primeiro campeonato. Escolha o que acreditar.

Melhor momento do dia

Depois, a corrida se resumiu a uma briga entre Vettel e Alonso. O alemão tinha feito uma escolha errada de estratégia, largando com pneus duros e tendo pouco ritmo. Alonso se recuperava da punição. Por isso eram apenas 5o e 6o. Quis o destino que eles se cruzassem. Que momento.

Vettel vinha dos boxes e não tinha os pneus aquecidos. Alonso se aproveitou e passou na pista. Mas Sebastian tinha mais carro. Só faltava concretizar uma ação, uma ultrapassagem. Tocavam pneus, se espremiam, mas a ordem se mantinha. Até que a Red Bull saiu com mais velocidade da Luffield e passou na Copse.

Alonso chiou. Disse que Vettel tinha usado a asa-móvel onde não podia, que tinha espremido, que era feio e tinha cara de mamão. Não sei o que os comissários vão decidir, mas não duvido que alguém seja punido. Os dois estavam sempre saindo da pista, atacando as zebras com mais vigor do que deviam - ultrapassando os tais "limites da pista". Mas foi uma disputa linda, de qualquer jeito. Os dois podem se orgulhar (e também lamentar, já que são os dois melhores pilotos do grid e tem dois carros meia-boca).

No fim, Hamilton segurou a ponta, Bottas confirmou uma tarde excelente com seu melhor resultado na carreira e Ricciardo - apagado - segurou uma terceira posição, depois de um dia sem grandes emoções.

Ah, e Maldonado bateu. Ou foi batido, por Gutiérrez. Abandonou na penúltima volta. Realmente, não faltou nada nessa corrida.

Chega de zica

E o campeonato?

Temos uma disputa. Rosberg perdeu toda sua vantagem e vê Hamilton colado, quatro pontos atrás. Quase nada, considerando que um vitória vale 25 pontos e já estamos quase na metade do campeonato. Se Rosberg abandonar na Alemanha e Hamilton chegar em 8o, já é o líder. Aliás, Hockenheim vai viver um domingo decisivo: toda aquela energia a favor de Hamilton vai se virar contra. Se Lewis abandonar, todos vão gritar, se abraçar e jogar cerveja para cima.

Só mais uma coisa: a cada dia que passa, eu tenho mais medo dos efeitos que os pontos dobrados de Abu Dhabi podem ter no campeonato. Tenho a péssima sensação de que isso não vai ser tão bom assim para a competição, como um todo. Se uma das Mercedes abandonar e a outra ganhar, podemos ver um campeão com mais de 50 pontos de vantagem sobre o vice. E isso não traduziria, de forma alguma, a disputa ferrenha pelo título.

sábado, 5 de julho de 2014

Chuva e loteria (Treino - GP da Inglaterra)

Foi um treino meio atípico. Talvez o melhor da temporada, graças a chuva inglesa. Tudo saiu um pouco da ordem, só o pole não mudou.

Q1 - Foi um começo de treino meio insano. A chuva tinha caído momentos antes da classificação e a pista estava consideravelmente úmida. Até aí, nada de muito incrível. O divertido foi o comportamento dos times quanto a percepção de quando é hora de colocar pneu slick.

Então, caos.

Button, que nunca tinha chegado perto de fazer algo realmente bom nesse bom nesse final de semana, fez o melhor tempo. 2s mais rápido que os outros. Aliás, o segundo mais rápido era o Bianchi. O quarto era o Chilton. Quem estava sendo eliminado? Bottas, Massa, Alonso, Raikkonen. Uma inversão de papeis. Só o que não mudou é o papelão da Caterham, que nem passou dos 107% e vai depender da boa vontade dos comissários para largar amanhã.

Fiasco

Q2 - Entre as duas partes do treino, caiu mais água. Não deu para usar slicks no começo do Q2, mas não foram minutos tão caóticos quanto os do Q1. Tudo seguiu, até certo ponto, um padrão.

Até certo ponto. Marussia teve chances reais de ir ao Q3; Vettel teve alguma dificuldade para fazer uma volta boa; uma Sauber bateu. Ah, isso não é incomum... Enquanto isso, Hamilton foi muito mais rápido que os outros. Duas Lotus, duas Marussias e duas Saubers fora.

Belo capacete (achei mesmo)

Q3 - A chuva, que tinha dado um tempo, voltou com alguma intensidade no começo da parte decisiva do treino. Sair rápido para a pista era decisivo para segurar uma posição boa no grid, já que o asfalto ia ficando encharcado.

Toro Rosso surgiu como uma possível surpresa, fazendo uma dobradinha momentânea. Até que Pérez foi melhor que os dois. E daí as Mercedes entraram e acabaram com a brincadeira: dobradinha, um segundo mais rápido que os outros. Hamilton pole.

Mas não por muito tempo.

A chuva parou no finalzinho do treino. A pista secou muito rapidamente, mas nem todos botaram muita fé nisso. Rosberg, Vettel, Button, Hülkenberg e Magnussen foram tentar algo. Resultado: são os cinco primeiros do grid. Em instantes, Hamilton foi da pole ao sexto lugar.

8a pole

Q3-ROS-VET-BUT-HUL-MAG-HAM-PER-RIC-KVY-VER//
Q2-GRO-BIA-CHI-GUT-MAL-SUT//
Q1-BOT-MAS-ALO-RAI-ERI-KOB//

E amanhã?

Ah, Hamilton... Acabou o homem? Sua confiança, já abalada, pode ter ido pelo ralo hoje. Vai ver o companheiro e único adversário na luta pelo título largando na frente, em terra inglesa. É para chorar nos fundos do motorhome. Mas vitória ainda é uma possibilidade real, eu diria. Pole não costuma garantir vitória em Silverstone, ainda mais com essas chuvas inconstantes. Uma traseirada na zebra, um safety-car na hora errada, um aperto na primeira curva; tudo isso pode colocar uma corrida a perder. Rosberg tem que ficar atento.

Hamilton tem que saber aproveitar. Se não vencer amanhã, sua missão nesse mundial fica complicada, com a vantagem do alemão passado dos 30 pontos, talvez até dos 40. Além de que, perder amanhã, na frente da sua torcida, seria um nocaute no psicológico de Lewis. Não é exagero ver esse GP com status de decisão de campeonato.