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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Um dia no passado - A arrancada da Williams para o título que não veio


A temporada de 1994 foi única. Foi um ano de transformação e renovação, mesmo que forçada, para a F1. Após a morte do último piloto restante do quarteto Piquet-Prost-Mansell-Senna, nomes como Michael Schumacher e Mika Häkkinen viram caminho livre para brilhar na segunda metade dos anos '90. Como todos sabem, o ano acabou com manchas de sangue sobre a competição. Isso não significa que tenha sido um ano absolutamente péssimo. A briga pelo campeonato dessa temporada foi uma das mais apertadas de todas.

A Williams, depois de meses de depressão pós-Senna, via a Benetton brilhar com seu pupilo Schumacher. Foi difícil para a equipe de Frank voltar à disputa com seu piloto sobrevivente, Damon Hill, mas a capacidade do FW16 e a suspensão de Schumacher serviram para equalizar a disputa. Em Monza, 11a etapa do campeonato, podemos dizer que a disputa começou a esquentar de verdade.

Falemos sobre o 65o GP da Itália, então.

A classificação trouxe algumas surpresas. O rendimento das Benetton's foi pífio, com Verstappen segurando apenas uma 10a posição, totalmente fora do ritmo esperado de uma equipe que dominara a primeira metade do campeonato. Lá na frente, Herbert fez o melhor treino da Lotus em anos, garantindo uma quarta posição. A dobradinha da Ferrari, a exemplo de Hockenheim, veio numa pista de altíssima velocidade, que compactua com o monstruoso V12 de Maranello. Só que, dessa vez, com Alesi na frente, conquistando sua primeira pole. Damon Hill, tentando se aproveitar do gancho de Schumi, largava em terceiro, com Coulthard escoltando em quarto.

Barrichello, esperança brasileira, largaria em 16o; Christian Fittipaldi, em 19o. Ambos foram batidos pelos companheiros de equipe, Irvine e Morbidelli.

Esperança rossa
Os dez primeiros seriam ALE-BER-HIL-HER-COU-PAN-HAK-DCE-IRV-VER

Logo na largada, muita encrenca e confusão: Irvine freou insanamente tarde e acertou a traseira de Herbert, complicando também a vida de Coulthard, Panis e Barrichello. Bandeira vermelha, para desespero das Ferraris, que haviam arrancado com primor. O irlandês iria relargar em último, enquanto Herbert teria que fazer o procedimento nos boxes. Basicamente, Eddie acabou com a única chance real da Lotus de pontuar em 1994 logo na primeira curva do GP. Paciência.

Na segunda largada, alguma normalidade: Alesi e Berger mantiveram a ponta com Hill, Coulthard, Häkkinen e Katayama logo atrás. Barrichello foi muito bem e assumiu a 9a posição, assim como Fittipaldi, 13o. Morbidelli bateu sozinho na Curva Grande.

Curiosamente, dois furos de pneus marcaram as voltas seguintes. Zanardi e Verstappen foram atingidos na reta oposta. Diz a lenda que, durante a madrugada, algumas pessoas meio alteradas jogaram garrafas de vidro para dentro da pista, justamente no trecho em questão. O asfalto foi varrido, mas não tinha como ficar 100% limpo. Felizmente, ninguém mais foi afetado. E vocês reclamando da Pirelli...

Na ponta, Alesi faz a corrida da sua vida. Vai abrindo vantagem sobre Berger, se encaminhando para uma estratégia de dois pits. A Tyrrell teve a mesma ideia para seus pilotos, Katayama e Blundell, que voam em solo italiano. O motor Yamaha rendia bem em pistas de alta velocidade, mas acabava consumindo muito combustível. Não era o maior dos problemas, já que Ukyo não enfrentou problemas para passar a McLaren de Häkkinen. Foi algo tão surpreendente que levou Galvão a dizer que o japonês era a "revelação do ano". Mais atrás, seu companheiro vinha escalando o grid, buscando pontos. Todavia, pit-stops lentos jogariam a dupla para trás.

Na 14a volta, Alesi entra nos boxes com 10s de vantagem sobre Berger. O pitstop, rápido, foi o último momento do francês na corrida: um problema na embreagem impediu Jean de voltar à pista. O sonho da primeira ficava pelo caminho e só seria realizado um ano depois. Gerhard, novo líder, vinha com Hill e Coulthard no cangote. O austríaco aumenta o ritmo imediatamente e tenta garantir que o troféu não saia da Península Itálica.

O brasileiros vão fazendo, pouco a pouco, um progresso considerável. Os abandonos, constantes, vão levando a dupla para a frente. Na volta 22, Barrichello já é quinto, enquanto Fittipaldi é 7o.

Então os pit-stops começam com tudo. O primeiro foi Berger, atrapalhado por Panis, retardatário, que ia em direção ao box da Ligier. O tempo perdido cobraria um preço alto. Hill entrou na volta seguinte e voltou à frente do veterano. Não parou aí: Coulthard, que vinha atrás dos dois, fez uma parada ainda mais rápida e voltou na frente de Damon e Gerhard. O escocês passou a ser, na prática, o líder do GP!

Na volta 28, a ordem era COU-HIL-BER-HAK-KAT(!!!)-BAR

Surpresa do dia
A felicidade de Coulthard não duraria muito, todavia. Frank Williams deve ter mandado alguma mensagem pelo rádio e Hill assumiu a ponta sem maiores resistências do escocês. Mais atrás, as Tyrrells davam uma festa a parte: Katayama ultrapassava Häkkinen pela segunda vez no mesmo dia, enquanto Blundell passava Barrichello e entrava na zona de pontuação. Para a dupla, passava a ser uma questão de andar o mais rápido possível e fazer valer a estratégia de dois pits.

Só que andaram muito rápido. Blundell rodou sozinho, passeou na brita, mas conseguiu voltar. O carro, porém, já não era mais o mesmo e o destino foi o abandono. Não muitas voltas depois foi a vez de Katayama, que ficou sem freios na Lesmo e encontrou a barreira de pneus. Um dia decepcionante para Ken Tyrrell, que via sua outrora gloriosa equipe agonizando em dívidas e decadência.

Assim, na volta 46 as posições eram HIL-COU-BER-HAK-BAR-BRU. Os dois primeiros vinham colados, enquanto Berger apresentava um ritmo forte para tentar garantir alguma alegria para os Tifosi.

As últimas voltas foram cruéis, em termos de abandonos. Christian Fittipaldi, após uma corrida sólida, parou com problemas no motor. David Brabham e Olivier Panis enfrentaram destino parecido. Mas com Coulthard foi trágico.

O escocês vinha fazendo todos os esforços para acompanhar Hill, talvez impressionando a equipe que tinha decidido colocar Mansell no volante do FW16 para o fim do campeonato. Mas passou dos limites: na Parabólica, última curva da última volta, uma pane seca jogou no lixo a fácil dobradinha. Acabou sobrando um decepcionante 6o lugar. Se é pra fazer isso, pelo menos Nigel anda mais rápido e é mais divertido.

A corrida acabou com HIL-BER-HAK-BAR-BRU-COU.

Era o começo da reação de Damon Hill que, beneficiado pelos problemas judiciários da Benetton e Schumacher, dava contornos de realidade a um título que sempre soou surreal. Na corrida seguinte, em Portugal, a ausência de Michael seguiria. O inglês repetiria o feito de Monza. Foi um fim de campeonato dos mais encarniçados de todos - infelizmente, às penas de uma punição ridiculamente exagerada ao alemão.

Não foi um ano tão ruim assim...
O fim, todos conhecem. Schumacher jogou o carro contra Hill e abrir caminho para os outros seis títulos. Começava a fama de Dick Vigarista, da qual nunca se livraria. A Williams voltava a incomodar após os meses de luto pela morte de Senna, mas seria em vão. A arrancada só daria resultados em 1996.

domingo, 20 de julho de 2014

Feelings - GP da Alemanha


  • Rosberg confirmou os prognósticos e venceu com tranquilidade, sem correr riscos. Sua única preocupação foi evitar que, ao fazer seu primeiro pit-stop, Hamilton tomasse a frente, rápido que estava. Não aconteceu, e daí pra frente a corrida ganhou ares de desfile para o piloto monegasco finlandês alemão.
  • Hamilton estava on fire. Trocou o câmbio, para delírio da turma do #WhyAlwaysHamilton, e largou em 20o, na companhia de Chilton. Daí pra frente, só alegria. Mesmo com pneus duros, ia para cima, ultrapassava, batia, ultrapassava mais um pouco, perdia um pedaço da asa. No geral, uma performance para tirar o chapéu. Mas a estratégia não foi boa. Seria mais inteligente usar pneu duro no último stint, ao invés de se sujeitar a dois pits para por pneus macios. No fim, a velocidade final de Bottas acabou com qualquer chance de dobradinha da Mercedes.
  • Que corrida do Bottas. Seguro, maduro, confiante. Ao lado de Ricciardo, é a grande revelação de 2014. Passou a corrida toda em segundo, o que é espetacular, lembrando que ele já vinha de dois pódios. Tem 91 pontos, enquanto...
  • Massa tem 30. Enquanto Massa bate, enquanto Massa capota. Um toque com Magnussen jogou tudo fora em questão de metros. Os dois erraram, mas talvez fosse mais esperto da parte de Felipe uma performance mais conservadora, já que precisa - mais do que tudo - de resultados. Precisa de uma benzedeira.
    Whoops...
  • Alonso faz uma temporada abaixo do normal, mas constante. Pontua sempre e agora também se diverte. Depois daquela super disputa com Vettel, outra digna de elogios com Ricciardo. Dois pilotos de alto nível fazendo tudo que podem por mais pontinhos. É o que restou, mas esse serviço é feito com primazia. Os dois vêm batendo os companheiros constantemente.
  • Uma breve nota sobre Vettel: em casa, foi burocrático. Fez a sua parte, mas nunca muito mais brilhante que isso. Pelo menos ficou na frente de Ricciardo, coisa que nunca tinha alcançado sem um abandono de Daniel.
  • Force India sofre um pouco. Depois de performances grandiosas nas primeiras corridas, um retrocesso. Vai catando as migalhas de nonos, décimos lugares, enquanto vê uma McLaren crescendo e quase tomando o quinto lugar no campeonato de construtores. Quando voltarmos às pistas rápidas - Spa e Monza - deve voltar aos bons dias. Hungaroring será tão meia-boca quanto Hockenheim.
  • Räikkönen, outro fiasquinho. Sempre que eu olhava pra TV, lá estava ele sendo ultrapassado, em primeiro ou segundo plano. Uma xicará de café, uma ultrapassagem; uma ida ao banheiro, outra ultrapassagem. Terminou em 11o, o que representa bem o seu ano: medíocre.
  • Maldonado quase pontuou, eu juro. Não tive uma alucinação, não preciso de óculos. Mas depois perdeu ritmo e terminou em 12o. Pelo menos tem um contrato para 2015 - só porque eu disse que isso não aconteceria no último post.
  • Sutil chamou a atenção. Não por causa de uma super-performance, mas por que rodou sozinho. O carro ficou atravessado na pista, o safety-car parecia óbvio, mas não entrou. A turma da conspiração - que é a mesma do #WhyAlwaysHamilton - já concluiu que foi para evitar os riscos de Rosberg perder uma corrida em casa. Talvez, é difícil dizer. Situações bem menos escandalosas já exigiram a intervenção. Ficamos com uma pulga atrás da orelha.
  • A chuva ficou só na vontade. Choveu antes, choveu depois. Podia embaralhar as coisas. Uma pena, já que a última corrida molhada foi na Malásia, ano passado.
Aplausos
Piloto do dia: Hamilton, que escalou o grid como poucos fariam. Tem um carro bom, mas isso não significaria nada sem uma pilotagem acima da média. Garantiu o entretenimento do GP.

Equipe do dia: Williams, que não pára de evoluir. Óbvio que a Mercedes ainda é melhor que todos, mas o FW36 teve um dia muito bom para uma pista que não é a mais veloz do calendário - sua especialidade. Um certo piloto brasileiro deixou a desejar, mas o trabalho da equipe é impressionante e digno de comemoração em Grove. Aliás, hoje conseguiu seu pódio 300.

Piloto lamentável do dia: Räikkönen, dono de uma pilotagem mais feia que as sobrancelhas do Alonso. Simplesmente não está funcionando dentro da Ferrari. Bianchi sorri.

Equipe lamentável do dia: Sauber, que só afunda na mão de seus pilotos sem brilho e seu carro problemático.

sábado, 19 de julho de 2014

Feelings - Treino do GP da Alemanha

  • Pole do Rosberg, mas não foi tão tranquilo ou óbvio. Levou uma pressão nos últimos minutos. Não de Hamilton, mas sim de Bottas. Em certo instante, ver a Mercedes sem a pole em casa parecia realidade. Mas foi só impressão: com ou sem FRIC, o W05 ainda é o melhor carro.
  • Mas aonde estava Hamilton, se não brigando pela pole? No centro médico. Uma pancada de respeito nas curvas do estádio foi o suficiente para quebrar aquela tranquilidade da vitória em Silverstone. Largando em 16o, virou azarão. Eventualmente vai aparecer entre os cinco primeiros mas, em condições normais, o pódio é duvidoso. O ritmo das Williams está bem acima do que se esperava. Se não for pro tudo ou nada, volta a ver a vantagem de Nico crescer bastante.
  • Sem palavras para o ritmo das Williams. De Bottas, em especial. Deu um sufoco em Rosberg e os dois pilotos são sérios candidatos ao pódio, mesmo que essa pista não seja tão favorável para o carro inglês. Sou leigo quanto a suspensão, mecânica de um F1, mas vejo a Williams como a grande favorecida com o fim do FRIC.
    Surpresinha
  • Magnussen merece aplausos. Segunda corrida consecutiva em que larga no Top 5, mas dessa vez com o companheiro sendo eliminado no Q2. Nas pistas que conhece melhor, fruto de anos no automobilismo de base, ele cresce. Aliás, palmas para a McLaren, cujo carro dá sinais de melhora.
  • Button pode estar vendo sua carreira desmoronar. Me lembro que todos achavam que sua vida sem Hamilton como companheiro de equipe seria facilitada, que poderia ganhar outro título. Nada disso aconteceu, muito pelo contrário. E não é só porque o carro não é tão bom. Jenson vem decrescendo ao longo do ano, virando um piloto meio burocrático. Pode estar sendo aposentado pelo Magnussen. Já é um forte candidato à temporada 2015 do seguro desemprego.
  • Red Bull, mesma coisa. Sempre muito perto, sempre muito longe. Faz o arroz com feijão, tentando levar pontos para casa. Ricciardo bateu Vettel, mas não sei se pode bater os que estão adiante. Torcem por chuva
  • Se Magnussen aposenta Button; Kvyat aposenta Vergne. O russo vem sendo uma constante no Q3, batendo o francês, que nunca foi muito bom em voltas rápidas. Só falta transformar isso em pontos, e amanhã é um bom dia para tal.
  • Force India ficou meio abaixo. Nunca teve muito conforto, sempre passando de fase com dificuldades. Hoje, não teve como escapar do fundão do Q3. Sua esperança é que faça muito calor e eles possam montar uma estratégia com menos pit-stops.
  • Raikkonen está de saco cheio. Quer ir para casa, fazer outras coisas. Tá louco para ver a temporada acabar. Só isso justifica essa apatia. Outra vez foi presa do Alonso, outra vez ficou pelo caminho. Bianchi sorri.
  • Maldonado conseguiu a proeza de ficar atrás de uma Marussia. Merece aplausos. Temporada mais bisonha dos últimos tempos, dentre todos os pilotos, com sobras. Só um milagre, uma reencarnação de Chávez mantém ele na F1 em 2015.

E Amanhã?
  • Com tempo seco, dá Rosberg, com Bottas em segundo. Com chuva - uma possibilidade real - embaralha tudo: Williams diminui e Red Bull cresce. 
  • Nessa situação, seria uma corrida acidentada: os pilotos ainda não correram sob chuvas com esses carros, quando muito fizeram treinos. Ainda existe uma possibilidade de erros bem grande.
  • Hamilton torce por tempo seco. Sob chuva, não terá a ajuda amiga do DRS para escalar o grid - como Vettel em Abu Dhabi - 2012.
Aposta do autor
  • Tempo seco: ROS - BOT - VET
  • Tempo chuvoso: VET - ROS - MAG (é improvável, mas é uma aposta)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Um dia, no passado... – GP da Austrália de ‘96


Uma série surge nesse Blog: “Um dia, no passado...” vai contar a história de corridas importantes, nas vésperas do mesmo GP da temporada atual. Começamos, por tanto falando de um GP da Austrália relativamente famoso, o de 1996. Foi um corrida com alguns marcos interessantes: 1ª corrida valendo pontos para a F1 em Melbourne (houveram corridas extra-oficiais por lá nos anos ‘50), 1ª corrida com o sistema de largada atual (cinco luzes vermelhas se apagando), 1ª corrida de Schumacher na Ferrari e a estreia de J. Villeneuve foram os marcos mais importantes desse evento.
O novato

O Qualifying mostrou como seria a distribuição de forças na temporada: Williams sobrando, com uma pole surpreendente do novato Villeneuve e Hill em 2º, Ferrari bem, mas nem tanto - Schumacher levou do Irvine - e bem parelha com a Benneton, fechando o grupo das três maiores. Jordan e McLaren brigariam pelas migalhas, pelo menos no começo do ano. Lá atrás, as lamentáveis Forti Corsi não chegaram nem perto de se classificar para a corrida.

Logo antes da largada, problemas na Sauber de Frentzen (9º no grid), que nem largou e com a Minardi de Lamy, que largou dos Boxes. E, na largada, mais problemas: Brundle enche a traseira de Coulthard e de Panis, na curva Três e decola lindamente. Bandeira Vermelha. Sorte de Damon Hill, que fez uma largada bisonha e ficou muito atrás do estreante Villeneuve. Todos os pilotos que tiveram problemas conseguiram relargar.

Na 2ª largada não houveram acidentes, as quatro primeiras posições se mantiveram e Alesi passou Hakkinen, mas voltas depois Schumacher passa Irvine, vai para 3º e começa a abrir. Brundle, num dia bem ruim, toca na traseira de Diniz e roda. Rosset, estreante, se precipita ao tentar ultrapassar Lamy, toca a Minardi e cai para a última posição. Dois pelotões se formam na frente: Um com VIL, HIL e MSC; outro com IRV e ALE. Na volta 9, acidente: Alesi, numa tentativa idiota de ultrapassagem, bate com a lateral do carro em Irvine e destrói a lateral de sua Benneton, enquanto o Irlandês segue sem problemas na corrida. Com o abandono do Francês, Hakkinen passa para 5º e Barrichello para 6º.
Irvine começou o ano batendo o Bicampeão
Na volta 16, começa o movimento nos Boxes. Salo, 8º é o primeiro a parar, enquanto Verstappen abandona. Na sequência, Schumacher, Irvine, Berger e Barrichello (ultrapassado pelo Austríaco, na parada) vão para os pits. As Williams se mantém nas duas primeiras posições, sem parar. Coulthard, ao ir para os boxes dá um passeio na grama para, quando finalmente chegou no box da McLaren, abandonar. Muito depois das Ferraris, chega a hora do time de Frank fazer Pit-stops; e começa muito mal, diga-se: Villeneuve demora 17.6s e, a princípio, viu sua vitória jogada no lixo, apesar de conseguir manter o 2º lugar. Só não contava que o pit de Hill também fosse demorado: 18.5s, o que os deixou muito próximos, mas com o Inglês na frente. Jacques, então, deu uma prova de sua agressividade e fez uma linda ultrapassagem na curva Quatro.

Enquanto isso, Schumacher sofria com o seu F310: Teve que fazer uma parada prematura, com problemas no freio do carro, mas consegue voltar... para passear na brita algumas curvas depois. O abandono, que era questão de tempo, acontece uma volta depois. Simultaneamente, Rubinho abandona com problema no Motor. Então, acontece a cena clássica dessa corrida: Villeneuve erra a Freada da curva Um e sai de traseira na grama, mas segura o carro e o ímpeto de Hill, que vinha com toda a tração atrás do Canadense. Irvine, aos poucos, vai diminuindo a distância para as Williams, se aproveitando de sua estratégia de duas paradas. Frentzen, sexto colocado, vai para os boxes, o que mostra que todos os pilotos com estratégia de um pit stop a mais, devem parar em breve, o que se concretiza, com paradas de Berger e Irvine. Pilotos da Williams à parte, os pontuadores são Irvine, Berger, Hakkinen, Salo.
Clássico
A perseguição entre os carros da Williams segue à mil. O motor de Villeneuve começa a soltar fumaça, o que deixa o time em alerta. Pouco a pouco Damon Hill vem se aproximando de Jacques, faltando menos de 10 voltas para o fim da Corrida. A ultrapassagem se consolida faltando 5 giros, logo depois de uma placa para o Canadense escrito “Slow” é mostrada. Não se trata de jogo de equipe, mas sim de conservar o carro, que começa a dar claros sinais de desgaste e problemas mecânicos. Vai pelo ralo a chance mais clara já vista de um piloto, logo na 1ª corrida, conseguir uma Pole e uma Vitória. A grande dúvida do momento é se ele vai conseguir levar o Carro até o fim. Irvine, já avisado da situação, começa a acelerar tudo que pode, apesar de estar 56s atrás, com três voltas para o fim.

Jacques se segura, porém, garantindo a dobradinha da Williams. Essa corrida foi a síntese de um campeonato que viria uma grande disputa entre Hill e Villeneuve, com vitória do Inglês, muito devido a sua experiência e cautela, exatamente o oposto do Canadense, que causou um “boom” semelhante ao de Hamilton, uns anos atrás. Outra coisa interessante é ver como foi ruim a estreia de Schumacher na Ferrari, e todo o trabalho que teve para chegar no ápice, em 2004. Se Melbourne nos proporcionar uma disputa tão interessante, em 2013, já poderemos ficar satisfeitos. Isso é bem provável, aliás. Albert Park é especialista em corridas ótimas.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pré Temporada - Os três primeiros dias

Em pílulas, o que acontceu de mais importante nos primeiros dias de pré temporada. Não fiz muitos posts ultimamente porque tive uns probleminhas, mas acho que tudo volta ao normal, agora. Não, não vou fazer posts para todos os outros carros, para não perder o ritmo linear da temporada, lamento.

-Razia na Marussia. Já tinha ocorrido um anúncio, por parte do piloto, semana passada, mas só ontem houve uma confirmação do time. Pena que não vai poder mostrar nada por lá, em condições normais, visto que o MRV03 parece ser pior que o antecessor. Se conseguir brigar por algo com a Caterham será um enorme feito.

-Van Der Garde na Caterham. Tenho minhas dúvidas sobre o talento do Holandês e, aliás, não vou com a cara dele, ainda mais depois de ter tirado o Kovalainen da F1. Não tenho dúvidas de que será batido por Pic, que mostrou talento em 2012 e tem a tão amada grana. Vai ser interessante ver a Caterham nesse ano. Fiquemos de olho, pois.

-Senna no Endurande. Comemorei, admito. Fez um ano ridículo, em 2012 e apanhou muito de Maldonado, que por sua vez já tinha sido batido algumas vezes por Rubinho. Acertou em sair da F1 onde, apesar do seu Tio, não tinha mais espaço. Fez uma temporada completa em uma equipe decente e isso já é o bastante pra ele. Vai correr de Aston Martins com patrocínio clássico da Gulf, o que é muito legal.

-Bianchi com dois pés e meio na Force India. Merecido. Fez um ano bom na WSbR e se redimiu de um certo fracasso na GP2, onde se esperava vitórias infinitas dele. Se bater o Di Resta (o que não é difícil, vide 2012), já vai estar de bom tamanho. Sua contratação tem uma importância financeira, tendo em vista que ele tem apoio Ferrarista, que vai fornecer motores para os Indianos em 2014.
Um dos novatos (???) da turma de 2013.
-Tem uma velha cara nova na Force India, é James Rossiter, que já teve longa experiência como piloto de testes na F1 (BAR, Honda, Super Aguri) e na F-Indy. Ele já tinha feito uns testes de novatos em Abu Dhabi com o time Indiano, em 2012, mas essa é a sua 1a vez junto de todos os outros pilotos titulares na F1 em muitos anos. Atropelou uns mecânicos hoje, e só.

-Hamilton bateu ontem. Os Freios falharam e ele bateu com relativa força no muro, lembrando esse acidente, em termos de força. O mesmo W04 já tinha dado problemas com Rosberg, no 1o dia, com direito a fogo e tudo. Aliás, hoje Rosberg deu 148 voltas, um recorde, talvez; para não atrasar muito o planejamento, certamente.

-Massa foi o único que dirigiu o F138, até agora. Teve um desempenho fraco nos dois primeiros dias, mas hoje foi para as cabeças. Ele se mostrou feliz com o carro, e disse que ele tem potencial. Ainda não dá pra saber nada, mas pelo monte de inovações, ou o carro é ótimo ou é uma bomba, tendendo um pouco mais para a primeira opção.

-O RB9, carro que defende o Tricampeonato, não apresentou nenhum problema e foi constante, em todos os dias. A Red Bull não tem histórico de chamar atenção na pré-temporada, e não foi diferente esse ano. Vettel e Webber estão felizes com o que tem em mãos.
Felipe e a cruz que carrega no carro, fruto da religiosidade de Domenicali.
-Button e Pérez não foram tão felizes assim com o carro novo como se esperava, não em termos de confiabilidade. O MP4-28 causou muitas bandeiras vermelhas, mas ainda não preocupa Jenson e Sergio, aliás, eles estão bem confiantes, como todo mundo está na pré-temporada.

-A Lotus vai incomodar esse ano, estou sentindo. Grosjean e Raikkonen (que teve o privilégio de, segundo Boullier, ter um carro construído voltado para seu estilo de pilotagem) fizeram tempos ótimos nos testes e colocam o time na disputa por algo grandioso em 2013. Só fica a torcida para que a suspensão não dê problemas tão graves como ano passado.

-A Marussia e a Caterham não sairam do lugar. Seguem no fundão, com o agravante da Marussia ter ficado bastante longe da própria Caterham nos dois primeiros dias. Eu tinha esperanças, mas ano pós ano eu começo a me conscientizar de que essas equipes não terão a menor chance de conseguir algo se não tiverem uma ajuda ($$$) extra. Se Bernie ler esse post, fica a dica.

-Só falta a Williams lançar o seu carro. O FW35 ainda não ficou pronto, então o FW34 foi à guerra, mas com uma pintura nova e um tampão no bico, pra esconder o degrau. É uma dica e tanto para vocês decifrarem como será o bico do carro novo. A pintura tem um pouco mais de branco e ficou mais "clean", gostei bastante, em suma. A equipe inglesa está focando seu trabalho em decifrar os Pneus que, uma vez mais, mudaram bastante.
Foto de uma Sauber, pra vocês não pensarem que esqueci deles - o mesmo vale para a STR.
-Como já disse, amanhã este blog volta ao seu funcionamento normal, creio. Stay tunned.